Arquivo do mês: fevereiro 2009

Gugleiros (57)

As melhores buscas entre os visitantes do Almanaque, agora em edição mensal:

Domingo, 1 - livre camelo nos confins da galaxia
É camelo ou camelô? Pode estar fugindo do rapa.

Segunda, 2 - piolho gigante
Infesta cabeças gigantes.

Terça, 3 -ganhar dinheiro vendendo almanaque
Não dá certo.

Quarta, 4 -mascotes para a biblioteca
Traças.

Quinta, 5 -o que significa sonhar com cupim
O que quer que seja, é melhor do que acordar com eles.

Sexta, 6 -imágens de parábolas para crianças
Aqui, aqui e aqui.

Sábado, 7 -antonimo da palavra experimentar
Boa pergunta. Tire o prefixo “ex-“, que é de negação, e o resultado é “perimentar”.

Domingo, 8 -lista de livros para ser culto almanaque
O problema é que, se você for culto, não vai precisar da lista.

Segunda, 9 -qual o significado de uma onça tatuada
Antigamente, deveria ser porque ela era marinheira ou coisa assim. Hoje em dia todas usam.

Terça, 10 -marcos da historia universal
Tem o Marco Polo, o Marco Antônio e o evangelista.

Quarta, 11 -“origem do cavalo de pau”
Eu já não contei essa história? Tinha um sujeito chamado Ulisses que era bom em corridas de biga…

Quinta, 12 -origem do nome darissa
O pai se chamava Darci, e a mãe, Clarissa.

Sexta, 13 -harpcore o que é ?
Hardcore tocado com harpas.

Sábado, 14 -tigres de bengala en oleo
Não é bom. Fica melhor em vinagre ou shoyu.

Domingo, 15 -irmão cerveja anjo paz não
A única coisa que parece fazer sentido aí é a cerveja. Muita cerveja.

Segunda, 16 -cantei o monge. poesia completa
Batatinha quando nasce
Esparrama pelo chão
Quando eu cantei o monge
Levantou o batinão

Terça, 17 -os tigres comem tamandua ?
Só os tigres antárticos.

Quarta, 18 -bicho de goiaba goiaba é?
Seguindo esse raciocínio, bicho-de-pé pé também é.

Quinta, 19 -fotos dos mascotes extra terrestres
Serve um cão d’água marciano?

Sexta, 20 -como um cavalo atrai a femea
Não tente.

Sábado, 21 -camisetas rasgadas e customizadas
Isso é tão 2001…

Domingo, 22 -“queimar a fantasia”
É de onde saem as cinzas da quarta-feira.

Segunda, 23 -como colocar miniatura de navio em garra
Ajuda se a garrafa for beeem grande.

Terça, 24 -vida de sao barnabe
A parte antes do concurso público ou só o martírio?

Quarta, 25 -frases de lapide para tumulos ejardim
Aqui jaz um bom adubo.

Quinta, 26 -nomes de demônios em ordem alfabética
Demônios NUNCA respeitam a ordem alfabética.

Sexta, 27 -o que faszer para nao alimentar inimizad
Na verdade, você pode alimentá-las. Mas nunca depois da meia-noite.

Sábado, 28 -roupa de sapo
Deve ser impermeável.


E as dez expressões mais procuradas do mês foram:

tigre 46
almanaque 43
almanaque abril 2008 39
tigre de bengala 35
sonhar com lacraia 24
sonhar com gorila 19
bicho geometrico 15
sonhar com minotauro 14
goticas nuas 12
folhinha do ano de 2007 10

Postais do Exílio (45): Templo de Estiagmira

O templo da colina de Estiagmira data do século XIV. Mas a pequena câmara em seu centro, o Santo dos Santos, é muito mais antiga. Tanto que ninguém sabe dizer quando foi construída.

Nos tempos de Alexandre já era antiga a lenda de que quem visitasse a câmara central do templo de Estiagmira veria seu deus, qualquer que fosse. O conquistador, afirmam, olhou para o altar e viu a si mesmo.

Em 1347, o califa Mohammed III assumiu a tarefa de acabar com aquela abominação, onde não só um mas centenas de falsos deuses haviam sido idolatrados. Subiu a colina com seu exército e, enquanto os soldados destruíam tudo, ele próprio foi ao Santo dos Santos. Saiu de lá transtornado. Não vira ídolo algum.

“Se nada existe no Santo dos Santos, não há representação de Alá. Como Alá não pode ser representado, Ele está lá”, afirmou. Em seguida, ordenou que o templo fosse reconstruído, da forma como o conhecemos hoje.

Bestiário (62): Piquiriqui

O canto do piquiriqui sempre intrigou os ornitólogos, que não conseguiam estabelecer um padrão. Os “discursos” entoados com ritmo e eloquência jamais mostraram relação alguma com acasalamento, estresse, migração ou qualquer outro comportamento. Parecia aleatório.

Só recentemente foi apresentada a hipótese, a princípio ridicularizada, de que o piquiriqui anuncia o resultado de uma extração de loteria. Algo semelhante ao jogo do bicho, porém praticado por aves. Ao que parece, é um “jogo do homem”. Com apostas e prêmios em grãos.

Hoje, por exemplo (“pi-piqui-pipiqui-piqui-pi-piqui”), deu careca. Na cabeça.

(Obrigado.)

Nós, abaixo assinados

REPUDIO E SOLIDARIEDADE

Ante a viva lembranca da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repudio à arbitrária e inverídica revisão histórica contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009. Ao denominar ditabranda o regime politico vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do pais. Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no periodo mais longo e sombrio da historia polí­tica brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo ditabranda é, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964.

Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota de redação, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta às cartas enviadas a Painel do Leitor pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis à atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal.

Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fabio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro.

(Assine aqui)

Jam (8): Crise de salão

Diga-se antes de mais nada que a Acadêmicos do Largo do Machado estava disposta a mostrar na avenida o brio de sempre. Mas a diretoria tinha pego toda a verba para o desfile e aplicado na bolsa. Deu no que deu.

Então, a rosa e branco da Zona Sul cancelou o desfile. Mas nosso bloco vai sair mesmo assim, com meia dúzia de ritmistas e sem porta-bandeira. Para ficar mais adequado ao momento, trocamos o samba-enredo por uma marchinha:

A conjuntura não tá pra brincadeira
Tome cuidado com a crise financeira

Quebrei meu porquinho
Comprei uma bóia
Pra não me afogar com essa marola
Na terra do Obama
Não é paranóia
Banqueiro falido tá pedindo esmola

Bestiário (61): Margoyne

Surgiu nos laboratórios de uma multinacional da área de biotecnologia e foi a primeira variedade transgênica a disputar um nicho no mercado de animais de estimação.

Macio como uma chinchila, inteligente como um gato e bonito como um collie premiado, o margoyne apresentava outras vantagens. Nunca adoecia, e adaptava-se facilmente a todo tipo de clima.

Além disso, todo animal, macho ou fêmea, saía dos criadouros esterilizado. Com isso, evitava-se a reprodução fora da linha de montagem, o que garantia a exclusividade para a detentora da patente e seus parceiros comerciais.

A produção e venda, porém, foram encerradas quando se descobriu que o contato prolongado com margoynes causava esquizofrenia, pancreatites e estrabismo. Aguarda-se para breve uma versão melhorada do bichinho, sem os defeitos e possivelmente ainda mais fofa.

Folhinha (18): Naufrágio de São Paulo

Os Atos dos Apóstolos não informam a data precisa. No entanto, é em 10 de fevereiro que os católicos malteses celebram o naufrágio do navio em que São Paulo viajava em direção a Roma. O santo foi parar na ilha de Malta, onde fundou uma comunidade cristã e converteu o governador.

Nos primeiros séculos de Cristianismo, a festa era celebrada afundando-se um navio, geralmente algum que já estivesse bem velho. Ainda hoje há quem faça pequenos barcos de papel ou madeira para naufragá-los, porém o costume praticamente desapareceu. Na Idade Média era comum escolher um “paulo” para jogar no mar, o que porém foi proibido pelas autoridades civis e eclesiásticas em 1536.

Finalmente, no século XVII, surgiu a ideia de comemorar o naufrágio “afundando” um copo de aguardente em outro de cerveja. A novidade fez sucesso mesmo fora da data comemorativa. Foi assim que, nas tavernas dos portos de Malta, em homenagem à chegada de São Paulo, foi inventada a bebida que no século XX se tornaria popular com o nome de “submarino”.

Em La Valletta, o “submarino” ainda é chamado de Pawl, mesmo nome da baía onde o navio afundou.