Almanaque

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Tudo o que você não sabia que precisava saber

Bestiário (57): Prometeu

Foi um lagarto pré-histórico que ensinou o homem a usar o fogo.

Evidências fósseis provam que o prometeu, um lagarto de até oito metros de comprimento que desapareceu pouco antes da última Era Glacial, preferia seus alimentos cozidos. Levava suas presas — inclusive seres humanos — até a beira dos vulcões, em cujas encostas vivia, e lá as deixava cozinhar antes de comê-las.

É quase certo que os homens tenham aprendido a usar o fogo para preparar suas refeições observando, tão de longe quanto possível, o comportamento do predador.

Criptozoologistas acreditam que o prometeu tenha originado também as primeiras lendas sobre dragões.

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Gugleiros (56)

As melhores buscas da semana entre os visitantes do Almanaque:

Sábado, 4/10 - grande praga enviada por deus, livro de
…Paulo Coelho.

Domingo, 5/10 - a biblioteca de babel trecho
Na verdade, qualquer coisa que você imaginar é um trecho da Biblioteca de Babel.

Segunda, 6/10 - inimigos naturais do camelo
Dromedários — por pura inveja.

Terça, 7/10 -verso de amor contendo palavra taças
Que eu possa dizer do amor (que tive)
Que não seja de cristal, posto que é taças
Mas que seja infinito enquanto dure.

Quarta, 8/10 -mascotes para a biblioteca
Traças.

Quinta, 9/10 -onça comendo fotos
O único bicho que eu conheço que come fotos é cupim. Ok, talvez cabras e avestruzes também. Mas onças?

Sexta, 10/10 -perfurador maped 565000
Quando eu for superintendente, eu vou ter um.


E as mais procuradas da semana, sem contar as expressões repetidas e as que contenham a palavra “almanaque”, foram:

sonhar com lacraia 14
tigre de bengala 10
malabarista de rua 8
abnegado 7
simbolismo da lacraia 4

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Bestiário (56): Graal

Uma obscura tradição judaica, mais hermética que a Cabala, fala do grol, um pequeno monstro que bebe o sangue dos mortos. Filhos de Lilith, os grols (ou gróis) vagam pela noite procurando cadáveres para se alimentar.

Um deles teria bebido o sangue de Cristo e se tornado imortal.

Destruir essa aberração, esse monstro demoníaco tornado divino, tornou-se uma obsessão para um grupo de judeus convertidos ao Cristianismo ainda no princípio da nossa era. Foi dessa caçada que surgiu a lenda da busca do Graal, que não passa de uma corruptela do nome da criatura. Para a Igreja, era mais fácil fantasiar sobre a taça de José de Arimatéia do que tolerar uma lenda baseada numa superstição judaica.

Há relatos de que Saladino teria capturado o Graal. Utilizado como arma de efeito moral durante as Cruzadas, ele bebia apenas o sangue dos cristãos após as batalhas.

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Diga não.

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Bestiário (55): Bicho de goiaba em lata

Quando começaram a aparecer nas latas de goiaba em calda, os responsáveis pelo controle de qualidade da indústria entraram em pânico. No entanto, por mais que reforçassem as medidas de higiene e erradicação de pragas, os casos de larvinhas surgindo nas conservas se multiplicavam. O pânico passou para o departamento jurídico, que enfrentava pilhas de ações judiciais e pedidos de indenização dos consumidores.

Em pouco tempo o fenômeno se alastrou para as marcas concorrentes. Esforços conjuntos de pesquisa revelaram que não se tratava do bicho de goiaba comum. Nem mesmo do antibicho. A nova espécie só vive nas goiabas enlatadas.

Até agora, não se descobriu uma forma de evitar a infestação. Pelo menos, alguns consumidores passaram a gostar mais das goiabas em calda com bicho, e passaram a comprar mais, compensando a queda inicial das vendas.

O pessoal do marketing já pensa em anunciar novos sabores de bicho.

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Folhinha (17): Um dia comum

O calendário murgol tem 364 dias dedicados a festas, deuses, heróis e efemérides. Somente o 7 de outubro é um dia comum. Ou melhor, o Dia Comum.

Hoje não há comidas especiais, jejuns, preces, trajes cerimoniais, tradições, brincadeiras, reuniões. Apenas vive-se. Do jeito que convém a cada um.

O peso da liberdade de escolha faz que a maioria das pessoas evite sair de casa e se encontrar com alguém, por absoluta incerteza em relação a o que fazer.

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Gugleiros (55)

As melhores buscas da semana entre os visitantes do Almanaque:

Sábado, 27/9 - vascaino que tentou se matar no viaduto
Achou que ia ser o mais quebrado de todos no hospital. Mas foi vice.

Domingo, 28/9 - por que o rabo do tamanduá pega fogo?
Travessura — sem a menor graça, aliás — do tatu.

Segunda, 29/9 - fotos de animais lendarios que existe
Eu tinha uma foto montado num unicórnio. Mas veio um dragão e comeu.

Terça, 30/9 -poesia que fale sobre microorganismo
Tinha um paramécio no meio do caminho
No meio do caminho tinha um paramécio
Jamais esquecerei desse acontecimento
Na vida de minha célula tão ciliada.

Quarta, 1/10 -onde surgiu o jogo pega gavião?
Na torcida do Palmeiras.

Quinta, 2/10 -qual significado da palavra ui
Enfia o dedo na tomada que você descobre.

Sexta, 3/10 -pensa por fricção
É mais fácil sacudir a cabeça para pegar no tranco.


E as mais procuradas da semana, sem contar as expressões repetidas e as que contenham a palavra “almanaque”, foram:

tigre 10
abnegado 10
goticas nuas 6
sonhar com lacraia 5
deserto caravana 4

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Biblioteca de Babel (34): Uaclanast

Livros sagrados existem aos montes. Toda religião que se preza tem o(s) seu(s), além de hagiografias, teologias e exegeses à la carte. Mas só os antigos arandeus optaram pelo oposto: um livro maldito.

O Uaclanast era uma coletânea de impropérios, pecados, vícios e corrupções. Ensinava e recomendava a prática de todo tipo de mal. Nas suas páginas, os arandeus aprendiam tudo o que não deveriam fazer. A virtude suprema era não fazer nada do que estivesse no livro.

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Postais do Exílio (41): Templo de Norienna

Quando Aníbal tentou atravessar os Alpes, na sua devastadora campanha em direção a Roma, perdeu boa parte dos elefantes que trouxera de Cartago e que vinham sendo a arma mais eficaz de seu exército. A maioria não sobreviveu a travessia das montanhas.

E houve, também, os que fugiram.

Alguns desceram as montanhas e foram parar na Gália, para surpresa e terror da população, que jamais vira criaturas como aquelas. No entanto, apesar da aparência aterrorante, os paquidermes estavam fracos e cansados, longe de seu ambiente natural, e foram facilmente mortos pelos guerreiros celtas.

No local onde os animais haviam sido vistos pela primeira vez, os druidas fizeram erguer um santuário a uma nova deusa: Norienna, a elefanta, a quem os homens pediam coragem. Porém, o templo foi logo abandonado e hoje é apenas um punhado de ruínas no meio de uma floresta francesa.

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Por aqui

Almanaque

Folheto ou livro que, além do calendário do ano, traz diversas indicações úteis, poesias, trechos literários, anedotas, curiosidades etc. (Houaiss). Do árabe al-munákh, "lugar onde o camelo se ajoelha", ponto de encontro e de conversa dos beduínos. Repertório, endimião, camião, sarrabal.

Marcos Faria

 

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E como já dizia Roland Barthes, tudo aqui deve ser considerado como dito por um personagem de romance.