Ganha a vida como eliminador de pessoas infelizes.
Desde que o Índice de Felicidade per Capita (IFC) passou a ser decisivo para determinar o progresso de uma nação, desbancando indicadores como renda, industrialização e escolaridade, ser infeliz tornou-se praticamente uma ameaça à segurança nacional. Foi assim que Atanahiro ganhou sua profissão. Procura pessoas infelizes, que com seu baixo-astral elevam o risco-país, e elimina uma por uma.
Já cometeu erros. Matou pessoas equlibradas e perfeitamente felizes, que deram o azar de serem entrevistadas num dia de úlcera ou de derrota do seu time de bocha. Hoje, sabe que a análise deve ser mais sutil e precisa.
Atanahiro gosta do seu trabalho. Só teme ficar, algum dia, insatisfeito e infeliz. Porque sabe o que deverá fazer nesse caso. Gasta boa parte do salário com terapia.
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