Foi com o pangotyr que o homem aprendeu a tomar chá.
Depois de catar e macerar algumas folhas da planta, o pangotyr enchia de água seu bico — semelhante ao do pelicano — e ia para a borda da cratera do Krakatoa e de outros vulcões de Java, a única ilha que habitava. E ali ficava, com apenas o bico, extremamente resistente ao calor, exposto aos vapores incandescentes, até que a mistura fervesse.
Os javaneses que primeiro observaram o pássaro não deram muita importância ao seu estranho hábito. Mas os mercadores chineses experimentaram a infusão das folhas e se encantaram.
Foram eles, em grande parte, os responsáveis pela extinção do pangotyr. A coleta predatória de plantas de chá para abastecer o mercado chinês praticamente acabou com o alimento da espécie. Os incêndios que devastaram metade da ilha durante a Guerra dos Três Sultões (1087-1123) terminaram o trabalho. Quando Marco Polo esteve em Catai, o pangotyr já era apenas uma história.
Dois exemplares levados ao Imperador foram empalhados. Eles estão até hoje num museu na Cidade Proibida, em Pequim.
É natural que a primeira avaliação de desempenho provoque um friozinho na barriga. E um sentimento de alívio depois de passar por ela — e bem. Mas depois vem a constatação de que, por melhor que você tenha se saído, ainda não passou do primeiro degrau na sua escalada.


