Arquivo do dia: sexta-feira, 22/2/2008

El hecho es que soy único.

No me interesa lo que un hombre pueda trasmitir a otros hombres; como el filósofo, pienso que nada es comunicable por el arte de la escritura. Loas enojosas y triviales minucias no tienen cabida en mi espíritu, que está capacitado para lo grande; jamás he retenido la diferencia entre una letra y otra. Cierta impaciencia generosa no ha consentido que yo aprendiera a leer. A veces lo deploro, porque las noches y los días son largos.

BORGES, Jorge Luis. “La casa de Asterion”. In El Aleph.

Biblioteca de Babel (19): O Labirinto

Fechado no Labirinto, o Minotauro passava meses e meses sem ocupação alguma. Portanto, é natural que tenha se tornado poeta.

Usando o sangue das moças donzelas e dos rapazes imberbes que Atenas enviava a Creta, ele escreveu com mãos humanas a sua própria epopéia nas paredes. E com isso tornou o Labirinto ainda mais traiçoeiro: ler os versos do seu morador era outra forma de se perder.

O fio — em grego, “nema” — que Ariadne deu a Teseu poderia ser, na verdade, um “phronema” (forma de pensar). Só assim, com o código para poder decifrar a escrita do Minotauro, ele foi capaz de compreender o Labirinto e encontrar a sua saída.

O herói, porém, jamais revelou o que dizia o poema.