Foi numa época em que havia uma grande seca e uma grande fome no mundo. Quando viu que seu roçado de mandioca tinha se acabado de vez, Ocã anunciou:
— Vou falar com a Mãe da Terra.
Quase todo o mundo riu. Mas Ocã assim mesmo pegou seu bordão e seguiu viagem, para bem longe, lá onde o sol se deita, depois de Yacamiaba, a montanha. Chegando lá, entrou na casa da Mãe da Terra. E pediu a ela que mandasse água.
A Mãe da Terra, porém, estava irritada. Tanto que nem respondeu. Ficou de boca calada, do jeito que estava.
Ocã insistiu. Ameaçou bater na Mãe da Terra com seu bordão, mas ela nem se abalou e continuou muda do jeito que estava antes. E nem chorar adiantou.
Então, Ocã teve uma idéia. Em vez de pedir, ameaçar ou chorar, começou a fazer caretas e macaquices. Deu cambalhotas e imitou a voz do papagaio, até que a Mãe da Terra não se agüentou e começou a rir. E, quando abriu a boca, saiu de dentro dela toda a água que estava guardada, e provocou uma grande inundação.
Ocã só não se afogou porque nessa hora pulou para trás da Mãe da Terra e se agarrou nos seus cabelos para não cair no abismo. Mas todo mundo que tinha rido da sua aventura morreu ou então virou peixe.
Foi assim que surgiu Uiagarã, o grande rio, que também quer dizer “riso da terra”, e que mais tarde Orellana chamou de Amazonas. Quando as águas baixam, é porque a Mãe da Terra fechou a sua boca. Então, todos fazem muitas brincadeiras para ela rir outra vez.
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