(Para Alessandra, sempre)
Havia um castelo no alto do monte
Com torres de pedra e portões de marfim
Havia um castelo no alto do monte
Se eu contar sua lenda, acreditem em mim
Do alto o rei avistou uma pastora
Mais bela que todas as damas de então
Mandou que a trouxessem ali sem demora
E na frente da corte pediu sua mão
Havia um castelo no alto do monte
Tapetes vermelhos, cortinas carmim
Havia um castelo no alto do monte
Se eu contar sua lenda, acreditem em mim
Porém não contava que a linda plebéia
Fosse moça de um brio maior que a beleza
E pedisse diante de toda a assembléia
Um dote mais rico que o de uma princesa
Havia um castelo no alto do monte
Estátuas de ouro em aléias sem fim
Havia um castelo no alto do monte
Se eu contar sua lenda, acreditem em mim
Pediu um vestido de seda e brocado
Um barril de ouro em pó e um anel de noivado
Um diamante maior que seu punho cerrado
E o rei mandou tudo trazer d’além-mar
Exigiu uma chuva de leite e de mel
Um tratado de paz entre o gato e o lebréu
Uma nuvem no chão e um lago no céu
E o rei mandou tudo providenciar
Havia um castelo no alto do monte
Almofadas de puro veludo e cetim
Havia um castelo no alto do monte
Se eu contar sua lenda, acreditem em mim
No fim quis que o rei lhe entregasse a coroa
O cetro e o trono e virasse plebeu
A corte irritou-se, xingou, censurou-a
Mas ele não hesitou e em tudo cedeu
Havia um castelo no alto do monte
Gárgulas, anjos, dragões e um djinn
Havia um castelo no alto do monte
Se eu contar sua lenda, acreditem em mim
Do alto a rainha avistou um pastor
Com o porte de um rei e os olhos no chão
Mandou que o trouxessem, jurou seu amor
E na frente de todos pediu sua mão
Havia um castelo no alto do monte
Com torres de pedra e portões de marfim
Havia um castelo no alto do monte
Se eu contar sua lenda, acreditem em mim
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