No início, como todos nós, tinha uma ótima desculpa. Era a crise. Tudo estava pela hora da morte, custando os olhos da cara. E por isso criou coragem para matar seu primeiro cachorro.
A grito.
Poderia ter se tornado um honesto exterminador de baratas, ratos e cupins. Mas o gosto de sangue falou mais alto. E Agenor gritou mais alto, e gritando matou não só cachorros mas também sindicalistas, jornalistas, políticos, padres, amantes e quem mais tivesse a cabeça a prêmio.
Agenor só lamenta uma morte, puramente acidental. Foi a de uma mulher que o empolgou demais com suas carícias. Desde então só faz sexo amordaçado, por precaução.

